sexta-feira, 21 de maio de 2021

Who's Next (revisitado)

Havia muito tempo que não escutava o álbum Who's next do The Who. Recordo-me, nitidamente, do efeito que ele provocou quando o ouvi pela primeira vez. Foi um fenômeno parecido com a audição do Equinoxe, de Jean-Michel Jarre (1978), Crises, de Mike Oldfield (1982), o "4o volume" do Led Zeppelin (1971), e o Hyaena, do Siousxie and the Banshees (1984).

Lançado em 1971, é uma das obras-primas da banda, a começar pela capa genial, que brinca com o título dado ao disco: há uma espécie de monolito de concreto com marcas de quem esvaziou a bexiga. A questão ("Quem será o próximo?") sugere que os membros, digo, os músicos da banda, já teriam se "aliviado". Seríamos nós os seguintes?

Sempre achei que The Who era um misto entre os ingleses do Led Zeppelin e os canadenses do Guess Who. A diferença tinha mais relação com as funções assumidas pelos seus componentes. O vocal potente e afinado de Roger Daltrey; o ritmo absolutamente sincopado de Keith Moon; a atuação precisa dos multi-instrumentistas John Entwistle (baixo, metais, piano e segunda voz) e Peter Towshend (guitarra, piano, sintetizadores e segunda voz).  

Se você não o conhece, não perca mais tempo. É, como dito, uma das peças de rock mais incríveis que conheço. Who is next?





quinta-feira, 20 de maio de 2021

Considerações em torno de um excerto de Jorge Amado

Em meados de 2020, Murillo Nunes perguntou se eu aceitaria orientar a sua pesquisa em torno de uma trilogia de Jorge Amado. Sem pensar muito, respondi de pronto que sim. Seria um prazer. Isso porque cada autor/obra que desconheço se torna obrigação de leitura e resulta em menor ignorância. 
 
Ficou combinado. Murillo se inscreveu no processo seletivo do Programa de Pós-Graduação em Letras da Unifesp. Foi aprovado no exame de proficiência e teve seu projeto arguido pela Comissão examinadora. 
 
Então, retomei a leitura do primeiro volume da trilogia Os Subterrâneos da Liberdade ("I - Os Ásperos Tempos"). A edição que tenho é a 13a, da Martins: capa dura vermelha em ótimo estado de conservação. XIII volume da obra de Jorge Amado.
 
O romance dialoga o tempo todo com a história do Brasil, durante as primeiras décadas do século XX. Como disse ao Murillo, a enunciação e o modo de construir as personagens provoca fascínio e repulsa. Por intermédio do narrador em terceira pessoa, Jorge Amado aciona o pathos como poucos conseguiram. E eu, que tinha lido uma ou outra ficção dele, revejo a concepção que fazia da literatura à parte que produziu.
 
Se a(o) internauta permite, transcrevo uma das numerosas passagens do volume para ilustrar a capacidade que certos diálogos têm de mover os afetos e torcer os ânimos do leitor: 
 
Artur quisera contra-atacar; referiu-se ao plano subversivo descoberto pelo Estado-Maior do Exército e no qual se baseara a mensagem presidencial pedindo o estado de sítio, um plano de revolução comunista, traçado no estrangeiro, certamente em Moscou. O moço, em sua frente, sorria quase com doçura:
- Nenhum dos senhores acredita nesse plano. Todo mundo sabe que ele foi fabricado, peça por peça, no gabinete do General Góis Monteiro. Ademais, um plano imbecil.*
 
Não é impressionante a semelhança com o modus operandi de certos grupos, nesta republiqueta em que a democracia é uma exceção em meio aos sucessivos golpes? Recomendo muito a leitura e agradeço ao Murillo Nunes por ter me instigado a conhecer uma face ainda desconhecida (por mim) de Jorge Amado. 
 
Eis o tipo de experiência que o desgovernante-mor jamais terá, pois lhe falta humanidade e competência para desejar algo além de mandar no povo e exterminá-lo, supostamente em nome de Deus, do Lucro e da Ordem. Na "Pátria Amada" só morrem os que não foram enxergados por ela.

*Jorge Amado. Os Ásperos Tempos. 13a ed. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1968, pp. 10-11.

 

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Ligeira Biografia de Pierre Daniel Chauvin (1943-2013)

Meu pai nasceu numa cidadezinha em Le Pégue, na região da Provença, ao sul da França, em 14 de maio de 1943, filho de Alphonse Jean Victor Chauvin e de Juliette Marie-Louise Roinat. Em 1955, temendo uma possível terceira guerra mundial, após o trauma nazista, os pais vieram com os sete filhos para o sul do Brasil - mais especificamente Garibaldi, cidade de alguns milhares de habitantes, onde meu avô assumiu um posto na vinícola Georges Aubert S.A. (que faliu em 2012, mas foi resgatada por um conglomerado de empresas neste ano de 2021). Na década de 1960, após alguns anos no Seminário, Pierre foi desafiado por um professor do colégio (supondo que não conseguiria ingressar no curso de Química) e prestou para o vestibular de... Química (e não em Física, como desejava), na UFRGS. Por volta de 1965, 1966, veio para São Paulo, para atuar como professor em colégios. Inicialmente, morou em uma pensão "para rapazes" em que a senhoria controlava a quantidade de papel higiênico consumida pelos hóspedes, fazendo marcas no rolo. Certo dia, conheceu Maria do Socorro Carvalho (nascida em 1950), natural de Bela Cruz, no Ceará, que morava e trabalhava na casa de um tio. Casados em julho de 1970, em fevereiro de 1973, vim ao mundo. Em outubro de 1976, foi a vez de Henri, meu irmão. Nessa época, morávamos em um sobrado da Rua Georgina de Albuquerque. Da escada que levava para o quintal, era possível avistar o radar do Aeroporto de Congonhas e desde lá carrego as imagens mais fortes da infância, a gritar: "radar tourne, radar tourne", para alegria de meus pais. Foi naquela casa que ele começou a preparar apostilas e livros de Química em três volumes, mais tarde publicados pelo IBEP. Além da máquina de escrever, ele recorria a réguas de símbolos (com setas e figuras geométricas), cola (para dispor imagens recortadas sobre as páginas) e fósforo (para dar acabamento "queimado" às bordas das fotografias e desenhos que selecionava). Desde pequenos, Henri e eu éramos convidados a colaborar na correção das numerosas provas e atividades que ele recolhia dos alunos do ensino médio - com o gabarito memorizado. Também ajudamos a montar apostilas... Pierre Chauvin trabalhou tanto em escolas da rede pública quanto da rede privada de São Paulo, de que destaco os Colégios Sion, Santo Américo, Nossa Senhora de Aparecida, Companhia de Maria (onde estudei da pré-escola ao terceiro ano do ensino médio, então chamado "Colegial") e Meninópolis. Pierre tinha olhos vivos e vivia bem-humorado. Era difícil recusar qualquer ideia mirabolante que os filhos tivessem. Ele gostava de dormir após o almoço e costumava comer pouco, quase nada (uma taça de vinho ou copo de leite puro), antes de se deitar, altas horas da noite, ao retornar das aulas particulares (de Química e Francês). Como sabia da nossa gulodice, sacrificava seu apetite para nos deixar desfrutar iogurtes, chocolates e outros quitutes. Os passeios mais frequentes que fazíamos incluíam ver aviões subir e descer no Aeroporto e almoçar "fora" (Planalto Paulista, Brooklin, "Centro" da cidade). Em 1987, quando seria seu aluno no primeiro ano do ensino médio, ele deixou o "Compa" e só vim a "ter aula" com ele numa ONG em que lecionamos juntos, voluntariamente, em 2002 (CIPS Jabaquara). De todo modo, guardo uma imagem que me impressionou deveras. Certa vez, quando estava a circular pelos corredores do "Compa", avistei-o a escrever com as duas mãos na lousa, sorridente e bem articulado, com uma vivacidade de garoto, embora beirasse os quarenta e poucos anos, na época. Também me recordo dele, com avental, a lidar com substâncias químicas nos laboratórios dos colégios, entre copos de Becker, tubos de ensaio, pipetas, pinças etc. No final da vida, nossas diferenças de concepção de mundo passaram a ser mais evidentes; mas nunca conversamos mais longamente sobre isso: ele acharia perda de tempo; eu acreditava que isso só nos magoaria. Em 24 de maio de 2013, eu tinha ido assistir à palestra de um colega, a falar sobre os poetas luso-brasileiros do século XVIII na FFLCH (USP), a convite de meu então supervisor de pós-doutorado. Ao final da aula, reparei que minha filha havia me ligado diversas vezes. Quando retornei as chamadas, ela me contou que seu avô fora encontrado sem vida no quartinho que alugava numa casa situada na rua Jean de Léry, no mesmo Jardim Aeroporto em que morávamos décadas antes. Meu pai costumava ter conselhos pragmáticos sobre a vida e a atuação como professor e fez coisas extraordinárias, que poucos progenitores ousariam - por exemplo, acompanhar falas, shows e lançamentos de livro de seu filho mais velho; ou buscar o filho mais novo na loja em que trabalhava num Shopping; ou buscar ambos os rapazes, já feitos, em matinês ou noitadas - em festas de gente que não condizia com a nossa classe social. Estava para dizer algo sobre ele há muito tempo. Hoje, que ele completaria 78 anos, pareceu-me boa data e ocasião. Ainda queria comentar que ele tinha preferência pelo número "7" e vivia fazendo as contas resultarem em múltiplos: 14, 28, 49... Houve um tempo em que ele teve um Fiat marrom, chapa MB2487. Ele dizia que a placa trazia bons fluidos porque a chapa finalizava em "7": "ótimo sinal" - tópica que repetia sempre. Durante nossa infância e adolescência (e boa parte da fase dita adulta) não faltaram corridas pela rua, jornadas em busca de pizza, passeios em jardins, idas a lojas de brinquedos e instrumentos, incentivo a aulas de música, cultivo de amizades, sonhos mirabolantes, confiança cega (mesmo em pessoas sem palavra), regência silenciosa (ou ruidosa) de composições eruditas (quando estava mais "pilhado", ele se deitava com a roupa de trabalho no tapete, fone de concha nos ouvidos). Tiramos muitas fotos e preciso renovar a coragem de reorganizá-las todas, para reavivar também a alegria dele. Digamos que seja necessário desencaixotar as memórias que tenho dele, fosse na casa de meus avós, em Garibaldi, fosse nos parques de São Paulo, ou em Tietê (onde morei, enquanto meus pais estavam "desquitados"), ou sobre a neve, na Provença, quando eu tinha três anos; um casaco marrom, pai e mãe. Meu pai era incansável. Somente quando nos tornamos supostamente adultos, ele começou a demonstrar alguma fragilidade - e ainda assim, eram raras e ligeiras, porque o sorriso, como vivia a ensinar, "abre portas". Não creio em Deus: não tenho a consolação divina; talvez por isso mesmo, deposite crédito nas pessoas. É bem verdade que ando preferindo livros a gentes, há algum tempo, mas isso não me impede de reconhecer nelas potencialidades e riquezas que devo ter aprendido com Pierre. Pierrão para seus colegas de ofício, Pi, para minha mãe, Professor Pierre, para seus alunos - que vez ou outra me enviam mensagens em busca de notícias sobre ele. Certa feita, revelou que meu nome era uma homenagem simultânea ao pai dele (Jean) e uma referência a ele, também (Pierre). Quando foi me registrar no cartório, preferiu não incluir o "Carvalho", de minha mãe: segundo ele, os sobrenomes não combinariam. Acho que a melhor imagem do Senhor Pierre seria a do Menino Maluquinho, criado por Ziraldo. Sim, porque ele alimentou a vitalidade, a curiosidade e a alegria de um garoto até dormir profundamente. Merci bien, mon cher Papa.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Evocação de Eduardo Galeano

Então, ficou combinado. 

Maíra Maximiano e eu leríamos As Veias Abertas da América Latina - ela, pela primeira vez; eu, pela segunda. A data? 10 de maio de 2021 d.C. Como ela estuda a obra de Gonçalo Tavares em diálogo com a de outros escritores incontornáveis, certo dia, discutindo os efeitos do neoliberalismo, chegamos ao uruguaio.

Se você não leu Galeano, faça-o. As Veias Abertas, além de ser um livro monumental, é muito bem escrito: combina densidade e sarcasmo, devidos ao veio poético e à seriedade com que o pensador reescreveu a história da América Latina.Veja, por exemplo, esta impressionante síntese sobre os rumos que o mundo tomava em 2010 (também grifada, quando li a reedição da obra no Brasil pela L&PM): 

"Os jovens se multiplicam, levantam-se, escutam: o que lhes oferece a voz do sistema? O sistema se expressa numa linguagem surreal: propõe evitar os nascimentos nessas terras vazias, opina que faltam capitais em países onde os capitais estão sobrando e são desperdiçados, chamada de 'ajuda' a ortopedia deformante dos empréstimos e a drenagem de riquezas que os investimentos estrangeiros provocam, convoca os latifundiários para fazer a reforma agrária e a oligarquia para pôr em prática a justiça social".*

Isso consta da "Introdução", escrita há cinquenta e um anos. Perdeu validade? Nenhuma. Diz respeito ao Brasil? Totalmente. Que lugar teremos nós, que já orçamos a chamada meia-idade, num país em que a bala, o evangelho e o capital fracionário embalam o dogma e o obscurantismo negacionista? Que lugar terão os mais jovens, supostamente inclinados a alimentar expectativas e a queimar etapas? 

*Eduardo Galeano. As Veias Abertas da América Latina. 14a reimp. Trad. Sergio Faraco. Porto Alegre: L&PM, 2020, p. 24.



quinta-feira, 22 de abril de 2021

Ligeira dissertação sobre a caligrafia

Descobri as músicas do Still Corners em 2019, quase por acaso, numa dessas buscas por bandas desconhecidas (por mim). Desde então, saí em busca de suas músicas avulsas e álbuns - quase tudo encontrado no YouTube. 

No final do ano, entre livros e CDs que me dei de presente, encontrei o single "Last Exit" do álbum homônimo, o mais recente da banda. Procurei-o em vários lugares, até que encontrei um site que vendia o álbum. Encomendei e aguardei. 

Na semana passada, ele chegou. E, para grata surpresa, vinha acompanhado de um cartão com versos, autografado pela vocalista e tecladista Tessa Murray. 

Foi um senhor presente. Mas isso também serve a relembrar a importância de valorizar a composição e produção de um álbum, mesmo porque a música, como arte e conceito, não cabe em arquivos MP3 ou playlists. 

Escutar certos discos permite acessarmos a matriz de onde determinadas canções saíram; obter detalhes confiáveis sobre os músicos e técnicos envolvidos no projeto; relembrar que existem álbuns mais orgânicos que outros, especialmente quando estamos a falar de Still Corners.

Sobre a caligrafia, direi apenas que a letra é miúda e foi escrita com tinta preta. Ela transmite sensibilidade e delicadeza. Quando retomar os estudos de grafologia, poderei esmiuçar essas e outras impressões (provavelmente seja uma reprodução do texto e dos nomes de Tessa e Greg; mas está valendo...)



 

sábado, 27 de março de 2021

Da Arte de (Des)orientar Alunos-Clientes

Professor também aprende. Máxima que se encontra na prosa encantatória de Guimarães Rosa, nos ensaios libertários de Paulo Freire, na tese emancipatória de Jacques Rancière.

Sessenta orientações depois, afirmo, categoricamente, que há duas modalidades de orientandos: 1. Aqueles empenhados antes e durante a pesquisa; 2. os que se concentram no "antes" e desaparecem "durante". O saldo comum é que, encerrada a banca com orientador e professores convidados, quase todas(os) desaparecem. Compreende-se: o vínculo professor-aluno é pouco mais que circunstancial.

A pandemia e os desgovernos desta republiqueta podem afetar os estudantes e comprometer o seu rendimento? É claro que sim. Do mesmo modo que esses e outros fatores interferem no trabalho responsável de quem os orienta. 

Qual a importância de quem chegou primeiro ao planeta e atua como docente? No Brasil, suspeito que pouca.

Além disso, como estamos na era do clientelismo, em certas horas dá vontade de pedir às(aos) ex-orientandas(os) que declarem se a gente presta para orientar ou não. Supondo que sim, com o perdão da imodéstia, o que explica o misterioso desaparecimento das criaturas que nos "escolheram"?

Aprendizado que fica? Orientar cada vez menos alunas(os), pois certamente não sou a única via para a obtenção do diploma. Quanto à busca pelo conhecimento, ora, ora: é sério que alguém ainda se importa com isso?

quarta-feira, 24 de março de 2021

O que fazer com as notas de caderno

Completei, há instantes, a leitura do Último Caderno de Lanzarote (publicado em 2018). Fazia algum tempo que não lia, linha por linha, algo de José Saramago. "Algo", entenda-se: lúcido, denso e, acima de tudo, coerente com a concepção de um sujeito que não aceitava as capitulações que levam o nome de "social democracia" ou "terceira via".

Achei que cabia dizer algo mais sobre o que fazer e como proceder com as anotações do caderno (este, com capa amarela, em que há nove páginas escritas sobre aquele Caderno desde ontem à noite). Após manuscrever, passei à segunda operação: revisitar o livro, marcando as páginas a serem revistas, prevendo o momento da escrita. Portanto, após digitar o texto que está a mão, inserirei passagens do volume nos espaços reservados a elas [indicadas assim, no manuscrito: ["Citação"].

O que saíra disso? Possivelmente, uma resenha - ou, para soar menos pretensioso, um convite à leitura. Dentre os vários motivos que justificam a leitura do sexto e Último Caderno de Lanzarote, digo que nele está o escritor todo. Aliás, não se trata de impressionismo deste pseudocronista; o próprio Saramago afirmou que o romancista está no cronista - em longa entrevista que concedeu a Carlos Reis.

Evidentemente, não podemos perder de vista que o Caderno traz uma das personae do escritor. Quero dizer, o homem que registrou seus dias ao longo de um ano, como foi o de 1998, selecionou as notícias, cartas e eventos que lhe pareceram mais relevantes; enquadrou-os segundo sua perspectiva crítica em relação ao país que censurou alguns de seus livros (Memorial do Convento, em Mafra; Evangelho Segundo Jesus Cristo, em Lisboa) e mostrou como a moral portuguesa não impediu que o governo se ajoelhasse para os acordos europeus, desprezando as condições desiguais acentuadas pelo Tratado de Maastricht (1992) - tratado que, dentre outras coisas, protegeu os Mercados (como se o neoliberalismo admitisse as diferenças socioculturais) e desprezou as pessoas (justamente por saber saber que elas são diferentes).      

Uma vez transposta para a página do editor de textos, o que fazer com as notas de caderno? Submetê-las a alguma revista, para avaliação. Talvez a Estudos Saramaguianos, editada nas bandas de cá; porventura a revista sobre Saramago que sai em Portugal. Há de ser em língua portuguesa, faço questão. Diante de um texto sobre este José, faz menos sentido ainda cumprir o que recomendam e mandam as instituições - obcecadas em "internacionalizar" o conhecimento a todo e qualquer custo (quando sabemos, muito bem, que não seriam muitos os interessados a discutir literatura contra mercadoria, ainda mais em inglês).