quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Dissertação sobre "Ocean Rain"

Hoje chegou um dos CDs mais aguardados por este colecionador. 

O Ocean Rain, do Echo & The Bunnymen, o quarto da banda, lançado em 1984. Afora as músicas mais recorrentes em coletânea ("Silver", "The Killing Moon", "Seven Seas"), não se pode deixar de reparar nas faixas menos conhecidas. Possivelmente graças aos sofisticados arranjos, que dão unidade ao álbum, elas não poderiam constar em outro trabalho do grupo. 

Sim, porque Ocean Rain tem uma sonoridade que combina a energia do rock com a melancolia do pós-punk. Há algo de alegre e soturno, portanto: de um lado, as distorções e solos (alguns, similares) de guitarra; de outro, a voz grave e a "cozinha" harmoniosa, constituída pelas nítidas linhas de baixo e a competente condução da bateria, sob uma camada de cordas e teclados.

Mas Ocean Rain também pode ser pretexto para o que mais importa discutir. Nos últimos anos, tornou-se lugar-comum ridicularizar quem "ainda" escuta/compra CDs. A lógica do streaming tomou conta de tudo.

Não haveria problema algum nisso, desde que a qualidade dos arquivos (comercializados ou não) fosse equivalente à da faixa de um disco em vinil ou em CD. Afora isso, acessar o álbum de uma banda permite ao ouvinte compreender melhor que certos "hits" não nasceram sozinhos: quase sempre dialogam ou contrastam com outras composições do álbum (ou de outros trabalhos do grupo musical). Nem me refiro ao sabor de desvendar detalhes da produção, depositadas no encarte e na segunda capa...

Ocean Rain deveria ser considerado parte de qualquer discografia básica sobre pop rock. Para além das outras obras do Echo & The Bunnymen, o álbum evoca Nick Cave and The Bad Seeds, Siouxsie and The Banshees, The Smiths, Pixies... Também aponta para The Jesus and Mary Chain, algo do Sonic Youth etc., etc., etc.

Infelizes aqueles que confundem elogio à tecnologia com desprezo pela matriz sonora de onde a música saiu; que se julgam mais espertos que os degustadores de álbuns inteiros. Talvez isso aconteça porque a apologia da fragmentação tornou-se um dos grandes sintomas de nosso tempo. 

Eu também poderia comentar porque "The Killing Moon" marcou tanto esta mirrada existência; mas pouparei eventuais internautas das confissões personalíssimas, que podem soar piegas e saudosistas. 

De toda maneira, devo ser um sujeito de sorte por cultivar vinis e CDs (o que não impede recorrer aos clipes avulsos de bandas no YouTube, quando convém).



 

sábado, 16 de janeiro de 2021

Das Relações Assimétricas

Chega-se mais facilmente a Marte do que ao nosso próprio semelhante (José Saramago)*

 

O senso comum reitera, peito estufado: "há relações assimétricas em todos os tempos e lugares". Assim parece ser: (a)o superior(a) e (a)o subalterno [se preferir, (a)o líder e (a)o colaborador]; o médico e o paciente; o comerciante e o freguês; o banqueiro e o cliente; o desgoverno e o cidadão; o juiz e o réu; a esposa e o amante; o latifundiário e o índio.... 

A questão é que, se aceitarmos que as coisas se repetirão desde os Jardins da Babilônia, há cinco mil anos, até Washington, desde o final do século XX, nosso comportamento será o de criaturas resignadas frente as "injustiças que sempre houve, sempre haverá". 

Não é dessa forma que procede o sujeito solidário e crítico, capaz de conceber outra humanidade. Justamente por ter noções de história, antropologia, cultura etc., ele poderá estabelecer contraposições ao lugar-comum. 

Sim, eu sei. Vivemos no Brasil, terra dos brutos, terra de qualquer um, menos nossa. Mas, mesmo nesta neocolônia, pasmem, há quem pense diferente. Que digo? Há quem pense. José de Alencar inventou Aurélia; Machado de Assis forjou Capitu; pelo menos metade de Oswald de Andrade foi Pagu; Guimarães Rosa inventou Diadorim; Clarice Lispector materializou Joana). 

Também há quem sinta. E, no terreno instável dos afetos, sentir e pensar nem sempre estendem as mãos um ao outro; menos ainda que o supostos equilíbrio resulte em uma percepção ajustada, aclimatada, inteira de si e da pessoa com que se convive. [Repare nos relatórios que as(o) confidentes fazem para que todos no vagão escutem: "daí ela disse, daí ele disse", em looping, quase sempre para evitar o silêncio e preencher vazios de quem não lida bem som as pausas na conversação. Invariavelmente, essas cenas terminam com a "vitória" de um(a) sobre o(a) outro(a)].

O problema de supor que não haja outro modo de se relacionar intimamente está em transferir as assimetrias do mundo corporativo, sanitário, jurídico, militar, político ou comercial para o pequeno grande reino dos vaidosos afetos pessoais. É sintomático que o dialeto amoroso esteja contagiado pela lógica do açougue: "a fila anda", "tô na pista", "pra frente é que se anda" etc.  

Talvez por isso, seja quase confortável repetir que há os que sofrem demais e os que sentem de menos.  

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*Discurso do recebimento do Prêmio Nobel, em 10 de dezembro de 1998. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq12129831.htm - Acesso em 16 de janeiro de 2021.       

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Paráfrase de um poema de Bertolt Brecht

 

Da primeira vez, alvejaram uma criança que retornava da escola.
Não dei importância: "isso só acontece nas comunidades do Rio".
 
Da segunda vez, um idoso não resistiu e desfaleceu sobre a calçada.
Não me importei: "isso só acontece em cidades mal administradas".
 
Da terceira vez, uma ala do hospital morreu por falta de oxigênio. 
Então me enfezei contra a oferta de ajuda da Venezuela a Manaus.
 
(Jean Pierre Chauvin, 15 de janeiro de 2021)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Às Voltas com o Monolito

Dia desses, em nova parceria para o jornal da universidade, a convite de um amigo (que leciona História e outras matérias na Universidade Federal de Uberlândia), reassisti aos filmes 2001 e 2010 – embasados nos romances homônimos de Arthur C. Clarke.  Em seguida, passei a ler 2010, publicado em 1982*. Levei muito mais tempo do que pretendia, mas hoje concluí a leitura e as anotações desse romance “não-sequência” da primeira Odisseia no Espaço, publicada em 1968.

Para além de 2010 retomar e ilustrar melhor certas ocorrências em torno do monolito AMT-1 e o destino do Comandante David Bowman, narrados no romance anterior, deixei-o com outros saldos positivos. Um deles: colher o diálogo que servirá como epígrafe a um projeto sobre o século XVI. O segundo: reencontrar, agora por escrito, uma ideia que supunha ser minha, quando tinha nove ou dez anos.

Refiro-me à citação que aparece à página 87 do romance: “[...] a Mãe Natureza, parcimoniosa, sempre se repetia, em escalas as mais diferentes: o redemoinho do leite mexido no café, as gargantas de nuvens de uma tempestade ciclônica, os braços de uma nebulosa espiralada”. Na cena, Floyd Heywood é despertado pelos colegas da nave russa Leonov. Os astronautas haviam recebido uma mensagem de socorro da espaçonave chinesa Tsien.

O episódio rende muitas páginas ao livro. Mas, a citação impactou-me de modo pessoal, também. Isso porque nunca soube de onde tirara a ideia (que supunha parcialmente original) de que o movimento do café, quando misturado ao leite, reproduzia em escala, bilhões de vezes menor, o espaço e o tempo relacionados ao movimento orbital da cor marrom, em contato com o branco (e o branco da via láctea projetado sobre o azul-escuro-espacial).

Desde criança, acreditava que o movimento no interior da xícara reproduziria o desenho cósmico, resguardada a proporção temporal: as curvas no leite, expandidas durante alguns segundos, equivaleriam a bilhões de criação dos planetas. De modo contrário: à medida que o movimento da colher cessasse, os movimentos perderiam velocidade e extensão, antecipando em brevíssimo tempo, o que aconteceria ao mundo dali trilhões de anos à frente.

Essa pequena epifania, brotada à mesa da cozinha no apartamento do décimo segundo andar do edifício São Vicente, na rua Damasceno Vieira, 1065 – há trinta e sete, trinta e oito anos - nunca me abandonou. Décadas mais tarde, quando soube que a vida dos animais domésticos seria temporalmente proporcional a nossa, essa ideia voltou com força redobrada. 

A noção de tempo variava não com a consciência humana, mas em acordo com a dimensão das espécies (seu estágio na escala evolutiva; sua posição entre a base e o topo da pirâmide alimentar etc.). Um inseto que vive vinte e quatro horas experimentaria todos os ciclos vitais enquanto nós estamos a pontuar o tédio e os movimentos de um dia, entre o sono e a vigília: refeições, afazeres e demais atividades supostamente humanoides.

De modo análogo, quanto maiores as dimensões dos astros, ou quanto mais longevo o tempo de vida de um ser (por exemplo, um carvalho que acumulasse milhares de anos), comparativamente menor seria nossa efetiva importância e mais reduzido nosso tempo de existência.

Concretamente falando, é fundamental termos consciência do tempo e dos lugares em que estamos inscritos. Isso permite que nem nos resignemos por nos considerarmos grão de poeira cósmica; nem nos consideremos heróis, supondo maior potência que os micro-organismos, plantas e animais (as pandemias viróticas estão aí para lembrar justamente quão limitado e temporário é o conhecimento).

O fato é que até hoje não sei de onde tirei a metáfora em miniatura do movimento dos astros no universo. Teria sido de Carl Seagan, quando concedia entrevistas transmitidas pela tevê? É sugestivo que, quando criança, eu cogitasse estudar Astronomia. Em seguida, tenha me interessado por Música, depois Letras, História, Direito e, de volta, por Astrofísica.

Retomando a metáfora, o interesse nos astros e nas dimensões espaçotemporais astronômicas estão na origem e metade da espiral que esta mirrada existência desenha. Sob tal perspectiva, a nossa trajetória – por mais errática ou linear que seja – expande e se recolhe, feito a órbita do café no leite: gira em torno de referências (ainda que questionemos as convenções); de modelos (ainda quando pretendamos ser antiexemplares); de ideias que julgávamos conceber durante a infância (embora suponhamos ser adultos: fase superior de nossa evolução como gente).    

Esse punhado de coisas ressalta outra obviedade: a órbita pessoal seria muito menor se não contássemos com livros e seres que os escrevessem e explicassem: cientistas, matemáticos, poetas, professores, romancistas. De certo modo, eles também são agricultores que extraem, torram e moem as sementes de café: ensinam que não somos mais nem menos do que as ideias do nosso tempo e lugar permitem.

 

* CLARKE, Arthur C. 2010: uma Odisseia no Espaço II. Trad. José Eduardo Riberiro Moretzsohn. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983.

Idioma Lu

 

Ninguém escreve um diário para dizer quem é 
(José Saramago. Cadernos de Lanzarote, 1997, p. 9)

 

Jean Pierre Chauvin

 

Estamos habituados a dizer que certas(os) pessoas, extraordinariamente hábeis com o palavreado, perfazem uma língua à parte: para além da nossa linguagem “de dia de semana” – como a descreve Damázio, de “Famigerado”, conto de João Guimarães Rosa. É sintomático haver mais de um dicionário sobre Luís da Camões, Machado de Assis e José Saramago. Também há o Léxico de Guimarães Rosa, organizado por Nilce Sant’Anna Martins; e ainda O Idioma Pedra de João Cabral, de Solange Rebuzzi.

Coisa menos habitual é proceder de modo parecido em relação às pessoas com que nos importamos. É bem verdade que se interessar pelo outro soa démodé (desde 1990, só a estética vintage é bem aceita nos grupos que discutem a forma exterior dos objetos). Mas, o leitor, a leitora, faça um pequeno esforço e repare: reparando bem, cada pessoa com que convivemos traz em si um idioma.

Se quisermos soar melhor, digamos “idiometo”: o idioma particular de cada criatura (evocando o modo como os linguistas se referiam aos idioletos...). Mas não precisamos, nem desejamos, soar mais precisos (além disso, suponho que a palavra idioma traduza melhor o que essa pseudocrônica pretende dizer).

Quero falar de Luciana de Paula Spedine, antes Luciana, depois Lu: sílaba que escutou confissões e pronunciou pragmatismos; que testemunhou vexames, mas elevou o moral e a autoestima do melhor amigo; que contou intimidades e presenteou-me com uma rosa na Avenida Paulista.

Era abril de 1997. Da mureta onde dezenas de colegas do curso de Letras (a “Turma do Muro”) se encontravam todas as noites, brotavam os diálogos mais interessantes e divertidos: uns a discutir o campeonato paulista; outros, a recompor Hegel, Marx e Benjamin; uns a imitar mestres com que tínhamos aulas; outros a relatar acontecimentos pessoais com maior ou menor detalhamento.

A primeira conversa com Luciana foi durante a carona com que me levou até em casa, há vinte e três anos. A segunda, e todas as outras que vieram, aconteceram em cafés, botecos, restaurantes, ruas, pistas de dança, e-mails, telefonema e redes sociais (nem menciono que muitos diálogos aconteceram enquanto fui seu passageiro, ao me buscar ou levar até a estação de metrô mais próxima de sua morada).

Creio ser capaz de contar dezenas de anedotas coescritas com ela. Mas esse relato não pretende ser um memorial – gênero incompatível com a insensibilidade e imediatismo dos leitores de 2020 d.C. Além disso, sempre há o risco de descambar para o discurso piegas – ainda mais em épocas, ditas natalinas, a aglomerar pessoas viróticas no país de genocidas.

O que mais importa dizer é como se dão e constroem os afetos. Alguns sinais disso estão em compadecer (até as lágrimas) com o relato grave; rir desbragadamente, contagiado pela gargalhada; divertir-se com os tiques da amiga: falares e gestos minúsculos, talvez imperceptíveis para quem não tem o olhar e a audição habituados ao idioma Lu.

Dizem ser Natal.

Isolados, não por conta da pandemia, mas graças ao desgoverno e o contágio do “dane-se” (o vírus não está errado em se multiplicar; o ser humano é que erra ao se dividir), somos obrigados a trocar impressões em áudio e textos (com extensão muito maior que as notas rápidas, induzidas pelo aplicativo de mensagens). 

Semana que vem combinamos nos telefonar: forma maior de celebrar haveres e planejares mútuos, enquanto praticarmos mais uma aula do idioma. Aula que não demanda esforço, nem precisa de reforço. Claro esteja.

sábado, 7 de novembro de 2020

Prêmio Aberst 2020 ou Um Passeio com Caveira e Lâmina

Em 2019, enviei um conto como forma de participar da coletânea O Melhor do Crime Nacional (publicada ao final daquele ano, pela Luva Editora), organizada por Tito Prates e Vitto Graziano e ilustrada por Carolina Mancini. Um ano depois, incentivado por algumas pessoas, submeti o conto "O Assassinato de Cláudio Manuel da Costa", na categoria Narrativa Curta Policial/Crime. Hoje, após meses de ansiedade, recebi, honrado, o prêmio Lúcia Machado de Almeida.

Fiquei radiante, por vários motivos. Primeiro: por ter sido a primeira vez que escrevi um conto policial com vistas a concorrer a um prêmio literário; segundo: por ter sido apresentado ao romance policial, quando criança, pelos livros de Marcos Rey e Lúcia Machado de Almeida; terceiro: por que leio e releio Agatha Christie desde menino; quarto: por fazer parte da Aberst, entidade que tem reunido autores, até então dispersos; quinto: por que o prêmio incentiva a que eu continue a ler e escrever (sobre) narrativas policiais; sexto: por manter projetos com a Luva Editora, em saudável parceria com Vitto Graziano e Carolina Mancini.

No retorno a este castelo de 51 metros quadrados, embarquei na estação Sumaré, desembarquei na Brigadeiro e desci a avenida a pé, com o troféu personalizado - caveira com uma lâmina espetada -, sob o olhar curioso (ou assustado?) dos transeuntes. Tem sido uma belíssima jornada. E ela não seria possível sem o incentivo e o apoio de Tito Prates, Vitto Graziano, Carolina Mancini e Daiana Rodrigues da Silva - que acompanhou a escrita rabiscada do conto; revisou e deu pitacos na versão digitada, às horas finais do último dia de inscrição para a coletânea, no ano passado... 

Quem disse que não é possível levar literatura policial a sério? 

 




  

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Quanto tempo um livro leva?

Em 2011, logo após a aventura de publicar Pensamentos Crônicos pela editora Patuá, começou (ou teve continuidade) o registro de pseudocrônicas em cadernos, páginas finais de livros etc.

Digo "pseudo" porque é isso o que não são: quando muito, lampejos de ideia; fragmentos de ensaio; textos breves, classificados como crônica ou equivalente nos fóruns em que foram veiculados (a exemplo deste espaço e o portal do GGN, para citar as fontes mais "rentáveis"). 

O processo de escrita, seleção e disposição dos textos se repetiu. 

Assim como no livrinho primeiro ("livrinho", mesmo: 90 páginas, quando muito), fui anotando monólogos interiores; comentários sobre livros; observações sobre gestos (não) praticados pelos terráqueos; cenas da politicagem brasileira-entreguista; e inventando cenas, supostamente verossímeis, também.

Um livro pode levar mais ou menos tempo. É possível escrever um conto breve em um dia (desde que haja ideias e formas de organizá-las); é possível dar forma a um artigo em uma semana; mas, livros concebidos como diários demandam outra temporalidade porque estão impregnados pelo cômputo dos dias. 

Se Pensamentos Crônicos foi tecido aos poucos, entre 2008 e 2011, Crônicas Vorazes se estendeu de 2011 a 2018. A leitora, o leitor que já se leu, sabe que tendemos a ser mega rigorosos conosco, ao reler o que escrevemos anos (ou até meses) antes. 

Não seria diferente com o volume que vem aí. Ele rendeu muitas dúvidas. Houve registros que apaguei sem qualquer hesitação ("que bobagem! que pieguice! que imaturidade! que amenidade!"); houve alguns deletados, mas que retornaram à casa de papel; também houve aqueles submetidos a algum critério possivelmente tão tosco quanto o motivo para preservá-los. Enfim, sete anos de brevíssimos escritos reunidos; outros dois, concedido aos trâmites editoriais.

Certos livros valem mais por aqueles e aquilo(s) que o en-formam. Assim penso sobre a engenhosa arte de Gustavo Piqueira; sobre a aguda apresentação de Eduardo Sinkevisque; sobre as generosas orelhas escritas pela Carmem Negreiros; sobre o sensível texto que vai na quarta capa, a cargo de Francine Weiss Ricieri.