domingo, 24 de março de 2013

Dos pressupostos

Em tempos de telas para todo lado, começo a cogitar se o hábito de ler - especialmente livros, que não sejam os best sellers que financiam a "grande" mídia - não está sendo confundido com coisa antiga ou brega, de gente sonhadora que acredita em vinte utopias por dia. Deve ser meu caso. É evidente que há bons best sellers; é claro que existem leitores que vão além da leitura ordinária. Mas o hábito da leitura em si pode parecer uma grande bobagem, especialmente para aqueles que vivem a descascar o tédio eterno em meios remotos. Andamos mediados por telas: muitos acham que nessa forma de subexistência e falta de contato com os outros (e outras realidades) reside a vida em seu auge, à beira do tecnológico-metafísico. Há que se viver, abrir os olhos, e deixar de supor que o fato de não estar conectado a qualquer dispositivo que não seja eletrônico implique em morte ou apatia: muito pelo contrário.