quarta-feira, 17 de abril de 2013

Ligeira descrição do mundo desejável

Desde criança tenho um curioso hábito: pensar nas pessoas que me cercam ao som imaginário de uma caixa de música - eu, que mal sabia o nome das notas, quando pequenino. Tais criaturas nem sonham com isso: talvez creiam que eu viva a alimentar sentimentos negativos a seu respeito, só porque concebemos o mundo e os seres que nele habitam, lutam e mudam, de modos diversos. Não: eu não posso ser e acolher maldades alheias. Por isso mesmo, vivo a cultivar as habilidades que me faltam. Parodiando Drummond (em seu "Poema de sete faces", de 1930), eu não devia te dizer, mas um vizinho relativamente distante está dedilhando uma doce música: provável origem deste sentimento, ora, ora.