quinta-feira, 11 de abril de 2013

Vilém Flusser e uma síntese em três tempos

Vilém Flusser escreveu, em 1985, um notável livro (Filosofia da caixa preta), em que problematiza o fascínio que a imagem exerce sobre o homem moderno. De forma um tanto resumida, o pensador thecoslovaco vincula a Antiguidade à memória; a Idade Média, ao registro (palavra) e a Era Moderna, à imagem. A sequência dos termos, nesta equação, parece simples; o que não significa dizer que seja algo simplista. A proposta do filósofo revela uma série de dados, dentre eles o fato inconteste de que cada período histórico representou a substituição de uma modalidade de concepção de mundo por outra. Fico a cogitar o que Flusser pensaria do mundo da imagem, tendo em vista o advento da internet, em especial. Como podemos ser e agir tão absolutamente fascinados pela imagem? Ou será maior que nossa inteligência a ilusão de interagir com o universo por intermédio de gadgets que nos tornam tão relativamente ágeis (já que hipnotizados e à beira e à mercê do estático)? Às vezes, fico a ponderar se não estamos pensando menos e em escala gradativamente menor, como se acompanhássemos, feito reféns, o tamanho das micro-telas. Ah, deve ser isso mesmo: a Era das Pontas dos Dedos combinada à simulação da máxima concretude... É claro, sempre por intermédio do suporte eletrônico, e não a partir da essência humana, por assim dizer.