quinta-feira, 16 de maio de 2013

Das confidências de balcão

Na falta de geladeira e fogão, por ora, tenho me alimentado nos bares da região onde moro há duas semanas, especialmente à noite. Agora há pouco, na volta da Faculdade, fui a uma lanchonete onde também estive ontem, em horário similar. Pedi um açaí na tigela, acompanhado de apetrechos que tais. O problema - como dizê-lo a alguém que dificilmente será ouvido pelos demais clientes(?) - o problema, continuando, é que eu estava cansado demais para ouvir o jovem atendente. E assim, os vinte minutos que permaneci no bar foram tomados pelas palavras incessantes do chapeiro, que se dirigia a mim como se fôssemos amigos de longa data. Graças a sua verborragia, tive acesso a uma série de argumentos, aos quais eu respondia com gestos de cabeça (considerando que a boca e uma das mãos andavam ocupadas em comer), enquanto acelerava a refeição frugal - mas à beira de uma congestão de vã filosofia. De modo muito resumido, meu interlocutor lamentava o fato de que os jovens de hoje vivem bebendo e frequentando baladas. Como ele age de forma diferente, tinha um imóvel no Ceará ("eu sou novo: 21 anos e já tenho casa"), um bom automóvel e a habilidade em fazer lanches ("o pessoal acha que é fácil...tem que memorizar tudo...ainda bem que eu estava aqui ontem; fosse outro chapeiro e não daria certo, não"). Como se vê, uma mistura de pseudo humildade e auto-elogio que implicou num açaí que não tive ocasião de saborear com o vagar desejável. Certamente haverá um saldo positivo no episódio: o fato de eu parecer confiável às pessoas, de um modo geral.