sexta-feira, 19 de julho de 2013

Do relativo senso de cidadania (sobre um par de tênis)


Um trajeto: Avenida Consolação - Viaduto Nove de Julho - Maria Paula - Brigadeiro Luís Antônio, precisamente o número 453. Um motivo: transferir de volta o título de eleitor para a Paulicéia (aqui, grifada com acento agudo na vogal "e", em absoluto respeito ao termo empregado por Mário de Andrade em sua poesia tão citadina). No percurso de vinda, passo pelas mesmas calçadas (ou passeios, como dizem em outros cantos do país). Regresso com súbita alegria para este logradouro - de cara e quadra única - a pensar. Etimologicamente falando, lembro-me que cidadão é termo que deriva de cidade; com direito a pelo menos duas contraposições: o camponês, ou campônio, homem do campo; o vilão, oriundo das vilas e vilarejos. Em meu caso, redescubro-me crescentemente urbanoide, nestes três meses de moradia na cidade natal. Ouvindo, cá, os símiles sonoros de John Coltrane, ocorre-me perguntar por que razão, afinal - agora que o título-documento tornou a ser (e me fazer cidadão oficial) desta cidade, sinto-me ainda mais enraizado no piche, nos grafites, viadutos, roupas, vozes e modos diferentes de ser de tantos: uns e outros. Eu deveria compor uma ode ao asfalto, feito Álvaro de Campos, aquele pseudo-poeta pessoano. Dia desses, quem haverá de? Pretensão? Leviandada? Emulação? Quanto à cidadania, vamos por partes: de agora em diante, voto no Caetano de Campos, ironicamente plantado no coração da atual megalópole de Piratininga, contando seus cento e cinquenta anos.