quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Das mensagens indesejáveis

Desde 1997, quando passei a contar com um número acumulativo de contas de e-mail, tenho me deparado com mensagens as mais interessantes, que tratam dos assuntos mais diversificados e irrepetíveis. Afora o tom sabidamente irônico do que se disse aqui, pareceu-me oportuno tecer uma breve consideração sobre o período "Eu mereço, eu posso!", que tem chegado a uma das "caixas de entrada", com referência ao fato de alguém ter o "mérito" e o "poder" de queimar sua epiderme (com ou sem sol, mas sempre sob o efeito da radiação, esteja claro) a tempo de se apresentar de outra forma, creio eu que em termos estéticos, para o verão. Ah, sim, o verão. Tive ocasião de dizê-lo em outro lugar que o mundo é um açougue. (CHAUVIN, 2011). Pode ser que melhoremos, como seres humanos, racionais e sensíveis, evidentemente. Mas, enquanto substituirmos as poucas escolhas que julgamos caber a nós por afirmações que condicionam nossa "felicidade" ou "sucesso" à coloração mais ou menos apetitosa da pele, terei grande reserva a esse respeito. E no inverno, as pessoas menos bronzeadas não terão direito à vida? Ah, deixemos de conversa, dirão. "Há um dia de sol - para além da tela do notebook, não é mesmo?" Creio que esteja em tempo de usar um poderoso bloqueador solar, nem que seja a título de protestar em defesa dos homens pálidos, que não cabem na (i)lógica do bronze (metal, cor e carne) a todo custo.