quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Sobre Mike Oldfield

Deve fazer uns vinte anos. A primeira coisa que ouvi do multi-instrumentista inglês Michael Gordon Oldfield foi a versão em vinil do álbum Crises - lançado em 1982 -, que me havia sido emprestado por uma ex-cunhada (que, por sua vez o havia encontrado na casa de um amigo). Encantei-me. De pronto, sentenciei: Mike nunca fará disco melhor que este. Passei a pesquisar os seus trabalhos, que devorava muitas vezes, no formato em CD. A exemplo de outras fases (Kiss, Led Zeppelin, The Doors, Rolling Stones, Depeche Mode, Kraftwerk, Yes, Rush, Pink Floyd, Jean-Michel Jarre, Devo, The Cure, Ladytron etc), vasculhava lojas e lojas; fazia encomendas; deixei de pagar contas para ter a chance de escutar mais músicas suas. Hoje, (re)ouvindo Hergest Ridge (1974), voltei a me encantar com o que Mike fez. A fase que vai de 1973 (Tubular Bells) a Crises (1982) talvez seja a mais interessante - para quem gosta de música instrumental de máxima qualidade. Sintetizadores recheados de solos harmoniosos de guitarra, linhas melódicas no contrabaixo, além de instrumentos de percussão, como o piano, as palmas, mais caixas de música e metais. Foi uma senhora descoberta. A essa altura, ele deve ter pouco mais de sessenta anos e provavelmente jamais saberá o que sinto, penso e imagino, inspirado pelas notas e arranjos que combinou. Eu diria a ele que, musicalmente, é e continuará sendo uma de minhas principais referências; que volta e meia vivo a semear trechos do que compôs na forma de assobios ou cantorias avulsas, mesmo. E concluiria: sua música sugere meu diálogo com os instrumentos e a desejar uma pretensa interlocução com todos os povos. Nesse sentido, Mike Oldfield é universal, para muito além dos rótulos criados pela indústria fonográfica. Um exemplo particular: graças aos seus discos, posso tocar baixo como se estivesse em  meio a uma conversa, nota a nota, com o compositor. Não deixa de ser uma honra que presto a mim mesmo: segui-lo.