quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Swiss Army Knife

Hoje, tendo ido à Universidade para tomar assento de duas reuniões, eis que me deparei com uma pilha de livros no setor de protocolo, uma bicicleta dobrável (com que pretendo voltar a percorrer o Elevado) e um pequenino envelope que continha a ferramenta multiuso que empresta o título a este relato. Troquei-a por pontos acumulados no cartão de crédito e, assim, pela primeira vez na vida passo a contar com aquilo que, em nossa terra, é mais conhecido como canivete suíço. Quando adolescente, meu pai havia me dado um de outra procedência, cuja cor e funcionalidades eram similares a este; mas, então, passei décadas transferindo para um futuro qualquer a possibilidade de extrair as máximas potencialidades do instrumento, nos moldes de um herói importado: sujeito certamente industrioso, bravio e inteligente, como aquele personagem de um seriado (Profissão: Perigo) exibido por aqui na década de 1980. O sabor de manipular o canivete, agora, não poderia ser o mesmo de antes - a despeito da cuidadosa embalagem e de algum fascínio ainda exercido pela marca do país fabricante. Mudamos nós, mudam nossas prioridades. Mas que este presente (relativamente gratuito) seja um modo de recordar o dia avec mon Papa em que vagamos muito atentos pelas ruas do bairro Liberdade: eu, com a sanha de ser heroi de momento, em razão de um ato qualquer (digamos, abrir uma garrafa sem precisar chamar o garçom); ele, como de costume, no encalço de minhas doses de alegria. É que demorei a perceber que havia outras formas de heroísmo, por exemplo, acolher a voz de um filho, persistir em fazê-lo enxergar a vida com mais leveza, dar margem a suas fantasias de menino e estimulá-lo a estudar o máximo de coisas que pudesse. Já não era sem tempo. É ótimo constatar que eu escreva isto em sua memória justamente no dia 7: o número de que ele mais gostava. Merci bien.