sexta-feira, 22 de maio de 2015

Manifesto da carteira (aquela outra)

Leciono, formalmente falando - registro em carteira ou certificado - desde 2002. Mas, antes disso, tinha dado aulas particulares isoladas e me somado a um grupo de colegas do Instituto de Biociências, na Universidade. Essa experiência no IB aconteceu em 1999: nós, funcionários, organizamo-nos com o objetivo de auxiliar aqueles que tinham maior dificuldade na leitura, escrita e aritmética. Embora não tivesse lido direito os ensinamentos de Paulo Freire ou da Madre Montessori, as aulas consistiam de encontros entre colegas unidos pelos mesmos fins e a crença no aspecto emancipatório e libertador do ensino - fosse ele mais, fosse menos formal. Se eu fixar aquele ano de 1999 como o primeiro de minha trajetória como educador, facilitador, mediador, professor (para mim, esses termos sempre foram equivalentes), há algumas questões e atitudes que cá permanecem: a) certa dificuldade para me manter distante ou ser frio em relação aos alunos; b) o desejo de assistir o progresso horizontal dos estudantes, tanto cultural, quanto espiritual e materialmente; c) a crença no conhecimento, em suas múltiplas formas, como forma de ampliar o espaço de si e dos outros; d) a importância ao discurso, à fala compartilhada; e) o reconhecimento de que a leitura é fundamental para aprimorar a nossa expressão linguística, o pensamento e estimular o diálogo. Quanto ao meu defeito (vide item "a"), afianço que ele trouxe muito mais alegrias que tristezas. O fato de ter vivido mais próximo dos alunos nunca impediu que houvesse respeito mútuo e reconhecimento das partes, em seus papéis (pesquisar para ensinar; pesquisar para aprender). Justamente por me colocar mais perto dos estudantes, educandos, formandos, orientandos, monitores, é que me sinto na mesma direção que eles. Que a (i)lógica do mercado não tome o lugar da curiosidade, do conhecimento e da solidariedade. Não há desculpa para depreciar o acesso à memória, à cultura e ao aprimoramento particular e coletivo. Continuarei na teima em me aproximar daqueles que dividem (ou não) a sala de aula comigo. O benefício pode ser mútuo, claro esteja.