quinta-feira, 18 de junho de 2015

Um pedaço de Saramago no Campus

José Saramago deixou-nos há exatos cinco anos, segundo as contas permitidas pelo Calendário Gregoriano. Hoje também foi o dia em que voltei a participar de uma reunião na Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo, quinze (anos) após a greve realizada em 2000, que durou cinquenta e quatro dias e consolidou em mim a convicção de um ser decisivamente à esquerda. Evidentemente, não se dizem certas coisas no mundo adulto: suspeito que não seria de bom tom fazer reverências a determinadas pessoas que me eram caras desde os tempos de graduação, a exemplo de Francisco Miraglia. Por isso, deixei de externar aos novos colegas do Conselho e aos Professores mais experientes que, para mim, era motivo de honra compartilhar de suas ideias, num mesmo espaço, em volta da mesa de reuniões, munido de documentos que embasam a postura de quem se dispõe a conhecer melhor aquilo de que trata. Provavelmente é o mundo adulto, com suas convenções e contenções, que me impede de enfatizar a falta que sentia de restabelecer novo vínculo acadêmico com a Universidade. Uma ausência sentida, com intensidade análoga àquela de alguém que lamenta a partida de um de seus guias culturais: Saramago, mas é claro. Quanto mais vivencio os sintomas obscurantistas e o discurso tacanho de determinados setores de nossa sociedade civil, política, militar e religiosa, mais me inclino à apologia da solidariedade. Modo talvez piegas, mas honesto, de propalar a necessidade de que pratiquemos maior humanismo em todas as oportunidades que criemos ou com que venhamos a nos deparar, desbancando a resignação obediente e extrapolando a esperança, ora imediatista, ora atemporal, que costuma vir a reboque daquilo que se considera o máximo possível.