segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Polarização

Diante das (nem tão) recentes demonstrações de desafeto, especialmente por intermédio das redes sociais, ocorreu-me sugerir que as polarizações entre partidários e antipartidários sempre estiveram em campos opostos, desde os tempos da Regência. A questão é que, quanto mais tempo o partido vermelho permanece no poder, mais isso incomoda os que se supõem defender, com lógica, imparcialidade e coerência, a legenda azul e amarela (e companhia) - grupo que de nacionalista não tem muita coisa, exceto a mania insuperável de se considerar gente melhor e mais instruída que todo o restante da população brasileira, especialmente se votar em outra coisa ou defender a igualdade social. Resumindo, este país só pôde ser chamado de conciliador enquanto os conservadores (e privatistas) estiveram no poder, como historiadores, filósofos de araque e jornalistas que vivem a repisar a falácia de que são neutros. Agora, a conciliação é uma postura tida por impossível, como salientou um dos fundadores da ala a que me refiro. Continuando... No fim das contas, quando a história e as notícias são escritas por determinados grupos de poder - feito as emissoras e revistas que conhecemos e os jornais que vamos desconhecendo -, é de bom tom dizer que há concórdia. Evidentemente, quando os considerados pobres, populistas e (únicos) corruptos assumem o poder, são alvo dos ataques mais tacanhos, que vão de comentários sem fundamento ("olha o look da Presidenta! olha como ela fala estranho! ela pegou em armas! eu odeio...eu odeio...porque sim") a definições classistas, que além de revelar que tais sujeitos se colocam num patamar sociocultural acima dos demais, visam a desqualificar qualquer posicionamento de gente instruída e bem alimentada com rótulos (chamado-nos de "esquerda caviar" ou coisa que o valha) com vocabulário que tomam emprestado daquele periódico, à beira da falência, que vive a manipular fotos e textos. Política e politicagem são coisas bem distintas. Tomar partido e ser politizado, também. Sempre ouvi dizer que a razão não costuma estar do lado de quem grita, em lugar de propor um efetivo diálogo para descobrir o que vai mal e aprimorar o que vai bem. Na certa, estou errado em simpatizar com gente menos favorecida em diversos aspectos; mas, em minha trajetória, sempre ajudei muita gente, dando aulas em ONGs, sendo solidário a greves de outras categorias, quando justas etc. Acima de tudo, comparo jornais e, há tempos, desconfio do que dizem os canais de rádio e televisão. Muitas coisas há que melhorar no país, no estado, na cidade; isso não quer dizer que precisemos dinamitar o que foi feito e possamos ignorar, incólumes, os benefícios que foram trazidos. As pessoas e coisas não são estanques; mas no momento em que uma penca de candidatos (com várias denúncias criminais nas costas) e atores (a mando de determinada emissora) vai à televisão para conclamar mais um, mais um "impeachment", só posso pensar que se trata de gente que confunde "desgostar" de um partido com "consciência de classe".