sábado, 26 de setembro de 2015

Décadas, de cada (vez)

Lu, já pensou? Daqui a um ano e meio, seremos amigos há duas décadas. Assistimos a nossas transformações, entre as pistas sombrias de dança, a sala de aula e as ruas, embalados por etílicos e cigarros, a disputar a atenção de muitos(as) outro(as), contando com o ouvido, o colo e o abraço fraterno. De minha parte, registro muitos momentos memoráveis (e o som das consoantes nasais se acumulam, assim, intencionais, para provocar maior impacto). Brinquei muitas vezes com a Valentina, quando pequenina, atirando bolas de plásticos e ursos de pelúcia, enquanto ela se debulhava de rir, da outra ponta do corredor. Agora ela está pensando em cursar Música e já me posicionei na torcida, para acompanhar os seus concertos sob a flauta. Conheci sua mãe, alegre como você; também suas irmãs e amigos. Também fui apresentado a alguns namorados seus, porventura uns mais edificantes que outros. Soube de seus planos tantos e todos, inclusive a transformação de uma moça exuberante, inteligente, simpática e cheia de energias, que abandonou com coragem algumas posições que talvez trouxessem maior conforto e estabilidade em meio ao conformismo e sanha dos paulistanos. Não é mesmo? Vinte anos devem servir pra alguma coisa, além das contar a pagar e demais aritméticas ou contabilidades. Esqueceu-me comentar (como pude?) os porres que compartilhamos, as palavras mais doces (e mesmo as mais severas) que tivemos de endereçar um ao outro, tendo em vista o bem-estar, a felicidade à espera das formas de retorno ("ah, sim, eu precisava ouvir isso. Agora estou bem"). Está em tempo de nos abraçarmos e ressoarmos, feito coro e gargalhada, para a suprema inveja dos deuses, e também dos mortais apáticos, trajados em indiscretos ou apagados cortes retos, em branco e preto. Diferentemente de nós, talvez aqueles seres não reconheçam a importância do sol e da chuva, a despeito de estarem vivos e todo dia poderem palmilhar a Avenida Paulista. Era isso, minha cara. Feito Paulinho da Viola, prometo telefonar para agendarmos a próxima sessão descarrego, com a vantagem de não haver hóstia nem cobrança de dízimo ou pedágios morais. Esteja bem, sempre. Ah...e não deixe de sorrir. Um beijo.