sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Lugares de Predileção

Livrarias e lojas de instrumentos musicais provavelmente sejam os locais que mais gosto de frequentar. Sintoma disso é o fato de me ressentir fascinado, a cada vez, pelas cores, brilhos, sons e vozes que eles irradiam, ali, parados, a nos observar das prateleiras, gôndolas ou suportes afixados ao rés-do-chão ou altivamente. Não por acaso, música e literatura sempre foram "minhas" artes preferidas, à que muito mais tarde, veio de juntar a Retórica - aquele conjunto de procedimentos persuasórios (tekhné>ars>arte) que teria nascido por ocasião de contendas, quanto ao peso de produtos e questões de terras, cinco séculos antes do chamado Cristo, nas proximidades da Sicília. A lista de lugares prediletos seria extensa, a começar pelos cafés (Café Floresta, sob o Copan; Piccolo Café, na Paulo Egídio com a Benjamin Constant...), cinemas e aeroportos, mas restrijo-me a dois deles porque estão, de fato, no topo da lista de preferências, disputando o difícil primeiro posto. Não mencionarei cá os lugares de meu desassossego, pois não pretendo alardear dissabores, embora os ache necessários, nem que o faça para relembrar aos outros que o mundo não se constrói de pensamentos exclusivistas, sorrisos embalados por remédios ou pela força das conveniências. Ser coerente envolve tentativa constante, exercício de sensibilidade e pensamento capaz de durar a vida inteira. Há aqueles que se dizem corretos, retos, justos, honestos, bem-sucedidos e felizes. Curiosamente, são os primeiros a fazer caretas, sorrir debochadamente e apontar todos os dedos deselegantes para os tipos que deles diferem e que (eles) classificam sem maior exame. Em presença deles, até mesmo os melhores lugares sugerem-nos a voltar para o embalo das gentes nas ruas.