quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Aquele abraço

Acabo de deixar Henri e Gabriel no posto do ônibus que os levará até Guarulhos, onde tomarão o longo voo de retorno ao Havaí. Em meio à chuva intermitente, o farol vermelho e a usual impaciência voraz de meus concidadãos, tivemos que nos despedir rapidamente, sem tempo para o forte abraço que dois irmãos - amigos que somos - merecíamos dar. 
Isto posto, envio o gesto (que não houve) pelas ondas ciber. Afinal, sendo o abraço algo simbólico, mesmo quando efetivado, talvez ele chegue em condições ainda melhores e mais efetivas, sob a forma de miragem, ao avião. Meu irmão e sobrinho não se assustem, caso uns braços pálidos insistam em abrir a janelinha sobre o motor direito da aeronave, enquanto a equipe de bordo estiver a instruir os passageiros a respeito de uma turbulência jamais vista. 
Claro esteja que, se a janela não abrir, estenderei a remessa até a terra em forma de ilha. Com sorte, sol e mar, o abraço-miragem chegará e revelar-se-á capaz de dar conta dos outros sobrinhos e de Karli, querida cunhada com quem meu irmão compartilha a vida e tarefa de criar três filhos.