quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Tecnocracia

Tenho esperança de que, dentre em breve, os terráqueos todos contaremos com uma engenhoca nova, na forma de aplicativo "baixável" via celular, que revelará, com alarde sonoro e visual, para onde vão todos os depoimentos que prestamos, quando atendidos por funcionários (primários ou terceirizados), em padarias, farmácias, órgãos do governo e concessionárias. Enquanto isso não acontece, alguém repare, por gentileza, no crescente acúmulo de critérios de avaliação - imiscuídos a novas tarefas a que os sujeitos são submetidos - em nome da qualidade no atendimento (versão contada para o cliente) ou da manutenção do emprego a todo custo (motivação do empregado). Estou certo de que as empresas, instituições e firmas contam com um "criativo" e gigantesco banco de dados que vai atualizando a classificação de seus funcionários a cada rodada de avaliações feitas (talvez com a melhor das intenções, pelos consumidores). De minha parte, desconfortável que me sinto ao notar o fascínio tecnológico de meus parceiros cá da Terra e, tendo em vista, o que podemos fazer em prol da qualidade de quem trabalha, decidi não mais responder a questionários que chegam via e-mail, nem avaliar atendimentos prestados, sejam eles realizados pessolmente, sejam averiguados por intermédio do telefone. Será essa minha minúscula forma de evitar eventual cumplicidade na maquinaria que converte a patrões e clientes em compulsivos defensores (ou detratores) de pessoas, cargos e salários.