domingo, 20 de março de 2016

18 de março de 2016: Contra-Golpe

Amigos velhos e novos, ex-alunos e colegas de trabalho, encontramo-nos no perímetro que vai da rua Consolação à avenida Paulista. Lá fui: ansioso, e um tanto temeroso com as provocações dos pseudo nacionalistas: aqueles cuja cabeça foi formatada por algumas emissoras de televisão e veículos de imprensa, mas que julgam pensar por conta própria. Participei do manifesto, sem arredar pé, entre as 14h30 e as 20h, motivado por uma série de convicções, combinadas à esperança de que a noção de Justiça não seja confundida com a perseguição a um único partido, como indicia a sanha dos novíssimos heróis de araque, forjados por revistas e canais de rádio e tv que deixaram de fazer jornalismo há eras. Na volta para casa, após um ato marcado por música, democracia e paz, ria sozinho enquanto paneleiros iam se ocupar das pessoas que passavam sob suas janelas, na Frei Caneca. É curioso que parte dessa gente, que dá todo crédito àquela emissora de televisão, impe de orgulho ao se portar como "nacionalista" (que sonha em ser colônia dos EUA), "pessoa do bem" (que não hesita em ofender e linchar aqueles que se arriscam a andar sobre bicicletas vermelhas), "gente avançada" (que não vê retrocesso em privatizar tudo o que for possível), "classe diferenciada" (que não vê contradição em batucar panelas e debochar de todos aqueles que percebem as mudanças no país de um modo bem diverso). A cena mais estúpida aconteceu em frente ao Shopping Frei Caneca. Enquanto um grupo de manifestantes (pró-democracia) respondia às provocações que vinham das alturas, com a pulsão das ruas, "Não vai ter golpe!", um consumidor caiu na própria armadilha: "Vai ter golpe, sim!"... Coincidência ou não, ele gritou apenas uma vez, o que talvez demonstre a asneira do que anda repetindo como se fosse pensamento legítimo e seu. Vamos ver se a sede de tirar o partido do poder condiz com uma ótica imparcial do pega-ladrão. Se esse tipo de gente estivesse motivada por princípios, já teria notado o personalismo de seus atos e os discursos proferidos por heróis de fachada, especializados em fechar boca, olhos e ouvidos, ao falar de seus aliados políticos. Voltemos a vestir vermelho. Voltemos a nos municiar em bons livros de história. A maior luta está nas ruas. Paulo Henrique Morim parece ter corrigido Lima Barreto, cem anos depois: a imprensa não é o quarto poder; é  o primeiro.