quinta-feira, 10 de março de 2016

Contorcionismo de corredor

O sujeito passa lá, uma penca de semestres com o mesmo professor. Mostra-se atento e sorridente, na maior parte das aulas (e mesmo, fora delas). Eis que, findo o período letivo, passa a executar a estranha ginástica do desprezo: olha fixo para o além; desce ao chão para amarrar o cadarço pela terceira vez; contorce pescoço, tronco e membros na direção contrária ao do transeunte. Em sua defesa, alguns dirão que se trata de timidez crônica; outros jurarão que o elemento "não enxerga, mesmo, muito bem" (aproveitando cá o verso de Caetano Veloso. Quem?). É curioso como evitar o outro parece eximir o contorcionista de fazer a ginástica mais difícil: um exame crítico de si mesmo(a). Costumo dizer que os alunos contam com um diferencial em relação às pessoas comuns (extra-muros): além do dinheiro e do sexo, eles ainda dispõem da nota como motivação para fingir interesse e estudo -- o que nem sempre implica aprimorar a sua personalidade ou a qualidade do que fazem, evidentemente. Tsc, tsc.