quarta-feira, 16 de março de 2016

Manifesto Universitário

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Contra a autofagia institucional: cultural, econômica e social. Se ser humano é conceito ultrapassado, que os robôs tomem o assento dos tecnocratas que regem: receita de Henri Lefebvre. Em defesa dos estudos sobre ler, escrever, contar e dividir. Contra a régua milimétrica das mega-especializações. 
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Contra a apatia propalada como remédio. Se lecionar literatura é ócio improdutivo, relembremos aos homens gerenciais que tanto a filosofia quanto a medicina nasceram na Grécia. Pelo espírito solidário e combativo, marchemos sobre o Campus.
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Contra a sanha produtivista que julga definir o que é ou não útil. Pela proscrição da palavra "serventia", nos ambientes em que a inteligência e a liberdade prevalecem sobre o gosto de estabelecer metas, prazos ou escalar intermináveis rankings.
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Contra os egos inflados, cegos pelas preocupações ministradas cotidianamente sob a forma de pareceres banais, bancas insossas, relatórios de minudências jamais lidas, participação de eventos em que todos falam mas ninguém se comunica. 
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Contra a sanha dos certificados, que tomaram o lugar do que se efetivamente disse, pintou, compôs, operou ou escreveu. Pelo gosto de gritar politica!, sem receio de ser tomado por ingênuo, idealista, utópico e sandeu. 
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Contra os detratores da universidade, donos de linguagem portentosa e cínica, a disfarçar ruínas com o heroísmo magro das cifras. Pela dessacralização do mercado e a destituição da velocidade como fator de atividade preponderante. Nem canibalismo, nem a falácia do bem-estar-social, invariavelmente exclusivista.  

Piratininga, há um quarto de século sob a indi-gestão dos privatistas 
que se autoproclamam homens melhores: homens de  bem.