sábado, 2 de abril de 2016

(Pré) Aula

Sábado, cedo: dia de ampliar leituras de e sobre Bento Teixeira (1561-1600), poeta judeu luso-português que andou dando um bocado de trabalho para o pessoal da "Santa" Inquisição (ao som de Marsheaux: incrível dupla grega que descobri há poucos anos). Há que recriar o ânimo mais otimista para prosseguir no ofício de professar aulas. Comecei a lecionar português e matemática em 1999, para um grupo de funcionários do Instituto de Biociências da Universidade. Em 2002, passei a dar aulas em uma ONG e um Curso Pré-Vestibular. De lá pra cá, estive em cursinhos comunitários, colégios e faculdades. Volta e meia relembro dos termos com que Roland Barthes descreveu o seu trabalho no Collège de France: "pesquisar e falar". Um coordenador me ensinou que "o bom professor é aquele que prepara sua aula". Posso afirmar que nunca investi tanto tempo (e dinheiro) nas tarefas que antecedem as aulas, como nestes dois anos na Escola de Comunicações e Artes -- no honroso lugar de Ivan Prado Teixeira. Tais leituras e estudos, por sinal, ligam-se ao excelente ensino que tive na Faculdade de Letras, entre 1995 e 1998; às aulas de literatura brasileira e portuguesa que ministrei no Colégio da PM, entre 2007 a 2010; e, mais recentemente, à penca de concursos públicos a que me submeti, com maior chance de êxito entre 2013 e 2014. [Nas últimas semanas, tenho assistido sistematicamente a jogos de tênis protagonizados por notáveis esportistas. Além de comprar minha primeira raquete (Federer), não pude evitar a analogia com o fato de que tenistas e professores devem agir feito profissionais, para o bem de si mesmos, do esporte e de seu público]. Que os (bons) alunos reconheçam a fome de bola de seus professores, especialmente aqueles que recolocam em jogo o ensino que investiga, esmiuça e liberta. Se eu fosse jesuíta, repetiria o ensinamento inaciano de que a boa palavra deve se casar ao melhor exemplo. Que o auditório contenha corações e mentes férteis e curiosos pela redescoberta de grandes figuras das Letras praticadas nos Estados do Brasil e do Maranhão e Grão-Pará.