terça-feira, 23 de agosto de 2016

Balanço Olímpico

Algumas coisas chamaram a atenção, durante a realização dos jogos no Rio de Janeiro. Para começar, a banalização do adjetivo "olímpico" por parte de uma emissora de televisão. A repetição do termo só perdeu a medalha para a qualidade de locuções redundantes e comentários pífios de gente que não merece nem o posto, nem o salário, tampouco a audiência que recebe. Tão ou mais impactante que a fala desautorizada de tanta gente foi a torcida evidente das emissoras pelos atletas dos USA. Vejamos. Na maratona feminina, o grupo que ia à frente recebeu menos consideração que a "valente" corredora ("americana") que vinha bem atrás. Até as câmaras se posicionavam de modo a destacar os esportistas em azul, vermelho e branco, não só nessa modalidade. Durante as apresentações dos ginastas, um repórter experiente ressaltava que a Coreia do Norte fazia de seus atletas garotos-propaganda do regime ditatorial. Como muita gente, ele se esqueceu (providencialmente) de comentar que algo similar acontece, desde a segunda guerra mundial, com os representantes da pseudo democracia liberal estadunidense. Na partida de vôlei com a Rússia, em disputa pelo bronze, à medida que o jogo avançava, a empolgação de locutor e da comentarista perdiam a aparente neutralidade, até a indisfarçável comemoração em torno de mais uma "conquista" daquele país. Por sua vez, a torcida local -- que assustou tanta gente por não respeitar os silêncios necessários e por vaiar gente esforçada, inclusive no pódio -- vestiu a camisa da corrupta entidade futebolística, no melhor "espírito olímpico". Quando digo que muitos dentre nós não passamos de neo-colônia dos Estados Unidos, não há exagero nisso. Cultural e economicamente, muitos brasileiros se espelham nos casos de "sucesso" de lá, embora eles mesmos ressaltem as enormes diferenças entre os países. Estamos cercados de basbaques com microfone e, pior: eles são os maiores responsáveis por "formar" a opinião pública de quem não pensa sem a sua tevê (seja ela smart, ou não).