quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O monstro do banheiro

Dia desses, a caminho de um curso extensão sobre o legado da ditadura no Brasil, tendo chegado bem antes do horário da aula, pedi um café e duas empadas num barzinho simpático, uma quadra antes do Shopping Santa Cruz. Tomei, comi, paguei. Em seguida, pedi para utilizar o banheiro. Três minutos depois, ainda na cabine, fui surpreendido com três pancadas muy civilizadas na porta. Irritado com a falta de compostura alheia, perguntei em voz alta: "-- Sim?!", ao que a criatura do Lago Ness não respondeu. Acelerei os procedimentos para antecipar a saída e, espantem-se, o sujeito havia desaparecido, talvez encolhido na mesa à esquerda, devidamente acompanhado. Coitada dessa mulher. Coitado desse bar. Coitada desta cidade. Eis o legítimo Estado-Violência. Bora escutar Titãs e ler Agamben?