sábado, 24 de dezembro de 2016

Meditação sobre a prancheta

Era uma vez uma prancheta, objeto para ler, escrever e apoiar. Fazia uns quarenta anos que ela estava em meus planos: item a carregar palavras alheias e próprias; material para afixar folhas e transferir ideias. Coisa e sinal de que se pretende aprimorar o contato com o reino dos vocábulos: contágio para muito se estimar. A superfície plana, o grampo firme: micro-contexto ideal para que o lápis (metonímia), estável e sólido, liberte o maior número de palavras velhas e novas. Textos a rascunhar, gêneros a preencher: anotações, registros, bilhetes para mim mesmo. Pista para pouso e decolagem de meditações. Prancha diminuta não impede algum velejar.