domingo, 5 de fevereiro de 2017

Argumento de Tânatos

Morei em Garibaldi (RS) entre 1990 e 1994. Quatro anos contados até o meu retorno a São Paulo. Lá aprendi muitas coisas; especialmente, nunca me esqueci de um provérbio: "Pessoas felizes não agridem". Só criaturas egocêntricas e arrogantes dão início a uma discussão e saem dela achando que armazenam toda a razão. Só indivíduos incapazes de amar (os outros) se valem de argumentos que não têm qualquer relação com o sentimento próprio e alheio, para conquistar a vitória do pseudo debate. Em momentos de ódio, é Tânatos que se mistura entre nós. Diz a um: "trabalhe sem cessar"; a outro: "produza sem cansar"; ao terceiro, recomenda que odeie, vença, bloqueie, delete, exclua. Incertas demandas do campo profissional contaminam certas decisões tomadas, por impulso, no âmbito pessoal. Por exemplo, a figura deixa de dialogar como se fosse uma decisão racional (e não motivada justamente pela paixão reprimida). Supõe que criar muros à volta de si mesma não seja um modo de fugir ao convívio. Para afetar força, age covardemente. Para se sentir inteira fragmenta a concepção sobre a vida e obsta a visão do outro com barreiras que cerceiam a si própria. Critica e censura gestos do outro; mas não admite réplicas e, sequer, reflexões sobre as coisas que diz, faz e agita. Mas nutramos esperança. Agora podemos usar Whats App para pseudo argumentar. Em vinte anos, as discussões serão representadas por hologramas. Será a micro-Era de Tânatos.