segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Avenida Paulista

Hoje de manhã, enquanto esperava por uma pessoa, voltou-me a triste sensação de que algumas criaturas não compreendem ou valorizam o mundo (e, portanto, os seres) à sua volta. Em meio a outras questões que me incomodavam, decidi mudar de postura em relação a determinadas figuras. Dentre as resoluções tomadas, deixei o curso de baixo -- já que, para soar educado, não estava correspondendo às expectativas do professor. Imediatamente em seguida ao envio da mensagem cancelando minha matrícula, subi até a Avenida Paulista para visitar o pessoal do MTST, acampado por lá. Enquanto me aproximava da ocupação, sob lonas e pedaços de madeira, confirmei o esperado: a maioria dos estudantes e (des)empregados que circulam, pomposos e vulgares, no distinto lougradouro fingem ignorar o movimento -- enquanto se utilizam da sombra produzida pelas barracas improvisadas, abrigando-os do sol sobre a faixa de altivos pedestres. Lá conversei com algums membros, incluindo Bruna e Tia Cida, a quem levei dois ouvidos e um mínimo de solidariedade. Trocamos contatos e me coloquei à disposição para ajudar no que fosse preciso. Antes que o leitor deste breve relato cogite reproduzir o estreito senso comum, chamando-os de "vagabundos", afianço-lhe de que não foi isso o que vi na cozinha que atende a incontáveis pessoas, por lá. Durante a breve conversa com as mulheres, perguntei se havia novidades; se o Presidente Interino havia se comprometido a honrar o que foi acordado com o movimento. Responderam que haverá nova assembleia hoje à noite, ocasião em que terão notícias. Indaguei como eles estão sendo olhados pelas outras criaturas que circulam pela avenida. Disseram que, em geral, são muito hostilizados, mas que também recebem saudações de apoio, na forma de buzinaços acompanhados de gritos contra o atual des-governo. Pedi licença para fotografar e divulgar a relação de alimentos e utensílios de que eles precisam (afixada numa das "paredes" da Copa). Sejamos solidários. Alimenta-nos muito mais proceder dessa forma. De certo modo, compensa o fato de suportar egos inflados ou defensores (ainda que descamisados) do cinismo neo-liberal -- que só exclui, mata e propaga o ódio entre nós e aqueles que não dispõem sequer do básico.