sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Uma trajetória entre "Opiniães"

Entre 2016 e 2019, colaborei quatro vezes com a Opiniães. "Opiniães, ora, opiniães, que será isso?", pergunta o internauta curioso. Opiniães é uma revista que trata do mundo das Letras (Língua e Literatura, para dizer o essencial que nela vai e se discute). Dia desses, a equipe editorial postou uma foto que reúne todas as capas do periódico, que acabou de ser reconhecido como B1, em acordo com a régua da CAPES.
Como nunca liguei muito para rankings ou avaliações, que porventura chancelariam, ou não, uma revista, tive o privilégio de ler e escrever sobre o conto "A guerra", de Estevão Azevedo, em 2015. No número seguinte, tentei falar sobre o lirismo agudo (e obediente aos preceitos retórico-poético-teológico-reinóis) do notável Manuel Botelho de Oliveira. Um pouco depois, ousei criticar o crítico Manuel Bandeira, que fez da amizade com Mário de Andrade ponto de fuga das letras luso-brasileiras -- que ambos rejeitavam quase inteiramente, supondo faltar nelas bom-gosto, clareza e originalidade. 
Nesta semana, saiu o quarto texto que submetera à revista. Nele rediscuto a visão, a meu ver controversa, sobre o romance de José de Alencar, sedimentada nos manuais de literatura brasileira. Creio ser oportuno lembrar que, apesar de os idealistas românticos (e a crítica que aderiu aos seus pressupostos, no início do Oitocentos) negarem o papel da instituição retórica e da arte poética, na prosa e no verso oitocentista, dificilmente se pode objetar para o fato de que os próprios poetas e romancistas, amigos do imperador Pedro II, forjaram convenções anti-convencionais em seu lugar. 
Ao resgatar as circunstâncias relacionadas à reflexão e escrita dos textos para a revista Opiniães, neste período, devo confessar que temia a rejeição de um e outro pelos(as) pareceristas. Desconfio que, ao menos em parte, a publicação deles se deveu à tenacidade e persistência dos alunos que conduzem o periódico. Devo-lhes gratidão e os felicito, porque parecem desconfiar que a crítica literária está sujeita a constantes questionamentos e transformações.
Nesse sentido, Opiniães é mais que um projeto editorial; nomeia um ato de resistência transgressora e saborosa aleivosia. Sorte de todos nós, que não confundimos opinião com argumento, nem dogmatizamos (in)certas perspectivas.